Novas regras para herança impulsionam mercado de planejamento sucessório

O planejamento sucessório tem deixado de ser tratado como um tema “macabro” ou associado ao azar para ganhar espaço no dia a dia de gestoras, multi family offices e áreas de alta renda dos bancos e escritórios de advocacia. A lógica é que organizar a sucessão patrimonial com antecedência pode evitar custos elevados e disputas familiares após a morte de um ente querido.

A chamada “visão holística” passou a ser o termo da moda nas discussões do setor. Cada vez mais, as instituições percebem que não basta falar apenas sobre investimentos ou recomendar produtos financeiros específicos. A tendência é de olhar para a vida financeira do cliente de forma integrada, o que envolve falar de sucessão.

Também há novas plataformas surgindo. Neste mês, o Guarda Digital, que iniciou operações com empresas em 2022, anunciou a expansão do serviço para consumidores finais. A empresa permite que famílias organizem documentos, senhas, ativos digitais, desejos funerários e mensagens pessoais, com entrega a beneficiários previamente designados pelo titular.

A iniciativa oferece diferentes planos, desde uma versão gratuita, que permite a criação de um testamento digital, até uma versão mais completa, de R$ 99,90 por mês, que garante coberturas assistenciais, como o auxílio funeral, operadas pela Caixa Assistência, empresa da Caixa Econômica Federal especializada em serviços de assistência.

O Guarda Digital nasceu da experiência pessoal do fundador Sidney Pedrotti, que perdeu a mãe em 24 de dezembro de 2020 e enfrentou meses de desorganização, contas digitais inacessíveis e decisões financeiras sem orientação.

Ele começou a buscar serviços que pudessem ajudá-lo, mas encontrou soluções muito concentradas em produtos específicos, como seguro de vida ou previdência privada. Faltava, segundo ele, uma abordagem mais ampla, voltada à organização do patrimônio e ao planejamento familiar como um todo.

Segundo Octavio Arruda, head of wealth services do Andbank, as mudanças tributárias dos últimos anos aumentaram a necessidade de olhar cada patrimônio e cada família de forma individualizada. “Antes existiam estruturas que acabavam funcionando quase como uma receita de bolo, mas isso mudou bastante”, afirma.

— Do Estadão/O Estado de S. Paulo