Nova tributação a partir de 2027 dobra carga sobre serviços e penaliza classe média
A reforma tributária que entrará em vigor em 2027 promete alterar profundamente o cenário econômico e social brasileiro. O novo sistema, que substituirá tributos como PIS/Cofins, ISS e parte do ICMS pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), terá como característica principal a cobrança no destino, buscando maior racionalidade na arrecadação.
Com alíquotas estimadas em 27%, contra os atuais 4% a 14% pagos em serviços, a mudança impactará diretamente a classe média e os consumidores finais, que enfrentarão preços mais altos em áreas essenciais como transporte, saúde e educação.
A implementação será gradual, inspirada no modelo francês de introdução do IVA em 1954. O ano de 2026 funcionará como período de treinamento, sem efeitos plenos, e a transição se estenderá até 2037, quando os novos tributos estarão totalmente consolidados.
Apesar da promessa de simplificação, críticas apontam para o excesso de impostos, a injustiça inflacionária no cálculo de ganhos de capital e a falta de debate público sobre os reais efeitos da reforma.
Para muitos analistas, a nova tributação, apresentada como modernização, pode acentuar desigualdades sociais ao recair principalmente sobre a classe média e sobre o setor de serviços, motor da economia brasileira. O desafio será equilibrar arrecadação e justiça social, evitando que a reforma se torne apenas mais um mecanismo de arrocho fiscal.